Como Se Cães Andassem Sobre Duas Patas

A tempestade chegou sem previsão na cidade. Os uivos a acompanharam.

Trevas caninas caminhavam como se o inferno acabasse de abrir suas portas. Gritos de mortes pelas ruas, choro de crianças e pais sem famílias.

Os homens-cães eram de pelagens negras, silhuetas magricelas, dentes sedentos e garras afiadas como navalhas. Sua forma era inconcebível para as pessoas daquela cidade em lágrimas.

Em uma escola infantil do bairro mais pobre, dentro do armário de uma das salas de aula, paralisada de horror, Elisa permanecia escondida. Em pânico, assistiu a todos os seus alunos do primeiro ano e companheiros de trabalho serem chacinados. Pela fresta da porta, seu olhar estagnava-se na carinhosa Wanda, de 8 anos. Ou em um pedaço de seu corpo.

O odor pútrido que os monstros caninos traziam era como o apodrecer de cemitérios inteiros concentrado numa única sala de apenas dez metros quadrados. Elisa começou a sentir ânsia.

Então os uivos soaram novamente. A podridão forçou a professora a tampar a boca com as duas mãos, impedindo o vômito inevitável.

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